17 de julho de 2009

XIII

da obra O Pequeno Príncipe
O quarto planeta era o do empresário. Estava tão ocupado, que não levantou sequer a cabeça à chegada do pequeno prícipe.
- Bom dia - disse-lhe este. - O teu cgarro está apagado.
- Três e dois são cinco. Cinco e sete, doze. Doze e três, quinze. Bom dia. Quinze e sete, vinte e dois. Vinte e dois e seis, vinte e oito. Não tenho tempo para acendêlo de novo. Vinte e seis e cinco, trinta e um. Ufa! São quinhentos e um milhões, seiscentos e vinte e dois mil, setecentos e trinta e um.
- Quinhentos milhões de quê?
- Hem? Ainda estás aí? Quinhentos e um milhões de... eu não sei mais... Tenho tanto trabalho. Sou um sujeito sério, não me preocupo com futilidades! Dois e cinco, sete...
- Quinhentos milhões de quê? - repetiu o principezinho, que nunca na vida renunciara a uma pergunta, uma vez que a tivesse feito.
O empresário levantou a cabeça:
- Há cinquenta e quatro anos habito este planeta e só fui incomodado três vezes. A primeira vez foi há vinte e dois anos, por um besouro que veio não sei de onde. Fazia um barulho horrível, e cometi quatro erros na soma. A segunda foi há onze anos, quando tive uma crise de reumatismo. Por falta de exercício. Não tenho tempo para passear. Sou um sujeito sério. A terceira... é esta! Eu dizia, portanto, quinhentos e um milhões...
- Milhões de quê?
O empresário compreedeu que não havia chance de ter paz:
- Milhões dessas coisinhas que se vêem às vezes no céu.
- Moscas?
- Não, não. Essas coisinhas que brilham.
- Vaga-lumes?
- Também não. Essas coisinhas douradas que fazem sonhar os preguiçosos. Mas eu sou uma pessoa séria! Não tenho tempo para divagações.
- Ah! estrelas?
- Isso mesmo. Estrelas.
- E que fazes com quinhentos milhões de estrelas?
- Quinhentos e um milhões, seiscentos e vinte e duas mil, setecentos e trinta e uma. Eu sou um sujeito sério. Gosto de exatidão.
- E que fazes com essas estrelas?
- Que faço com elas?
- Sim.
- Nada. Eu as possuo.
- Tu possuis as estrelas?
- Sim.
- Mas eu já vi um rei que...
- Os reis não possuem. Eles "reinam" sobre. É muito diferente.
- E de que serve possuir estrelas?
- Serve-me para ser rico.
- E para que te serve ser rico?
- Para comprar outras estrelas, se alguém achar.
"Esse aí", disse o principezinho para si mesmo, "raciocina um pouco como o bêbado."
No entanto, fez ainda algumas perguntas.
- Como pode a gente possuir estrelas?
- De quem são elas? - respondeu, exaltado, o empresário.
- Eu não sei. De ninguém.
- Logo, são minhas, porque eu pensei nisso primeiro.
- Basta isso?
- Sem dúvida. Quando achas um diamante que não é de ninguém, ele é teu. Quando tens uma idéia antes dos outros, tu a registras: ela é tua. Portanto, eu possuo as estrelas, pois ninguém antes de mim teve a idéia de as possuir.
- Isso é verdade - disse o pequeno príncipe. - E que fazes tu com elas?
- Eu as administro. Eu as conto e reconto - disse o empresário. - É complicado. Mas eu sou um homem sério!
O principezinho ainda não estava satisfeito.
- Eu, se possuo um lenço de seda, posso amarrá-lo em volta do pescoço e levá-lo comigo. Se possuo uma flor, posso colhê-la e levá-la comigo. Mas tu não podes levar as estrelas.
- Não. Mas posso colocá-las no banco.
- Que quer dizer isso?
- Isso quer dizer que eu escrevo num pedaço de papel o número de estrelas que possuo. Depois tranco o papel à chave numa gaveta.
- Só isso?
- Isso basta...
"É divertido", pensou o principezinho. "É bastante poético. Mas sem muita utilidade."
O pequeno príncipe tinha, sobre as coisas sérias, idéias muito diferentes do que pensavam as pessoas grandes.
- Eu - disse ele ainda - possuo uma flor que rego todos os dias. Possuo três vulcões que revolvo toda semana. Porque revolvol também o que está extinto. A gente nunca sabe! É útil para os meus vulcões, é útil para minha flor que eu os possua. Mas tu não és útil às estrelas...
O empresário abriu a boca, mas não encontrou nenhuma resposta, e o principezinho se foi...
"As pessoas grandes são mesmo estraordinárias", repetia para si durante a viagem.

2 comentários:

  1. Estou no planeta terra, e viajando com o pequeno *-* hihi, ótimo livro *-*.

    O blog ficou lindo como você, /eba. JDSIOJ te amo, bebe (l)

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